a exposição

Exposição de Gravuras de Yara Tupynambá
A presente mostra traz, para o 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, uma seleção de gravuras da renomada artista mineira Yara Tupynambá que, ao longo de sete décadas de produção ininterrupta, construiu um legado de rara beleza e inestimável valor histórico e cultural. Natural de Montes Claros, Yara Tupynambá nutriu, desde cedo, um profundo encanto pela cultura popular regional, que lhe ofereceu as primeiras formas de manifestação estética e se tornou alicerce de seu desenvolvimento artístico. Aluna de mestres como Guignard, Oswaldo Goeldi e Misabel Pedrosa, formou-se também no Pratt Institute, em Nova York. Na exposição, o visitante é convidado a conhecer um recorte dos diferentes olhares sobre a cultura mineira, representados por meio de gravuras que abordam temas importantes relacionados à história e à memória de Minas Gerais, como a cultura popular, o patrimônio histórico e cultural das cidades barrocas, as grandes personagens de nossa história, a formação das cidades, o meio ambiente e sua rica flora e a transculturalidade permeada pela intimidade da artista. A mostra articula delicadeza e força ao transitar entre o lirismo onírico dos signos de Minas e os grandes personagens de sua história, como Antônio Dias, Chico Rei, Chica da Silva e Joaquina de Pompéu. Percorre também as diferentes formas da arquitetura transpassadas pelo tempo, do barroco colonial à formação das cidades, das manifestações populares: festas de Nossa Senhora do Rosário, Folia de Reis, Congado aos Catopês de Montes Claros, das imaginárias, ornamentos e altares aos Atlantes de Aleijadinho, mestre do barroco mineiro, tudo isso reinterpretado pelas mãos habilidosas de Yara Tupynambá. As moças nas janelas e as relações sociais, os vasos de flores vistos do interior ou do exterior da casa, o Pequeno Mágico com sua cartola de onde saem pássaros e flores que brotam do peito do ilusionista, os personagens do circo, palhaços, trapezistas, arlequins e pierrôs, que evocam o encantamento e a magia do circo mambembe, remetendo à tenra infância da menina Yara, que queria, como muitos, fugir com o circo. A transculturalidade, marca presente em uma das séries de suas obras, evoca o cotidiano retratado por grandes mestres da arte europeia, como Henri Matisse, Marc Chagall, Paul Gauguin e Édouard Manet. Em diálogo com as obras desses artistas, Yara Tupynambá reúne elementos diversos da cultura popular de Minas Gerais, as noivas da consagrada ceramista Dona Isabel Mendes, do Vale do Jequitinhonha, os ex-votos oriundos de nossas igrejas seculares e os objetos da intimidade de sua própria casa, como bules, vasos e plantas, e os entrelaça a personagens, objetos e cenas extraídos das obras consagradas desses mestres. Desse encontro entre universos culturais distintos e temporalidades diversas nasce uma obra ressignificada, na qual todos esses elementos, antes dispersos, ganham unidade e novo sentido pelas mãos de Yara Tupynambá. É no acolhimento de seu ateliê que culturas aparentemente distantes se encontram e se harmonizam, revelando, a delicada síntese entre o mundo europeu e a alma de Minas. Tudo isso pode ser conferido por meio das gravuras, que revelam a consistência da produção e aproximam o público da poética de uma das mais expressivas artistas plásticas de Minas Gerais. Desejamos que este breve recorte das obras de Yara Tupynambá possa levar a todos a uma reflexão sobre a importância da arte, memória e patrimônio na formação cultural das pessoas, desde a tenra infância. A Exposição, sobre a curadoria de José Theobaldo Júnior (Theo) e Lívia Bandeira, tem o apoio cultural de Joaquim Artes e Ofícios.
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o curador

José Theobaldo Júnior
Proprietário e Curador da J&J Art Gallery, Theo reúne em uma mesma trajetória arte, educação e patrimônio cultural. Educador e advogado, dedica há mais de quatro décadas sua atuação à formação de pessoas e à preservação da memória, duas vertentes que hoje fundamentam a curadoria da galeria. Sua formação reflete a amplitude desse percurso: é pós-graduado em História da Arte e em Conservação e Gestão do Patrimônio Cultural pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, instituição na qual cursa atualmente pós-graduação em Museologia, Expografia e Cenografia. Complementa sua formação na École du Louvre, em Paris, onde participa do curso de Iniciação Geral à História da Arte. Um dos pilares de sua trajetória foi a parceria e convivência por 25 anos com a renomada artista plástica Yara Tupynambá. Dessa colaboração nasceram curadorias e produções como a mostra "Yara Tupynambá, 70 Anos de Carreira", no CCBB-BH, exposição de gravuras da artista na Casa dos Contos, em Ouro Preto, na Casa de Cultura de Pará de Minas e de Sete Lagoas, no Museu de Congonhas dentre outros. Participou ativamente no apoio para a publicação edições dedicadas à sua obra, como os livros "A História de Minas através dos Murais de Yara Tupynambá" e "Muralismo". Sua curadoria alcança também outros artistas consagrados: assinou "Umberto Nigi — Cor e Forma: a Poesia do Equilíbrio", no CCBB-BH, em parceria com o Consulado da Itália, além de "Luiz Chaves — 50 Anos de Arte" e "Minas Recortes Gerais Revisitada", de Edna Araújo, na Escola da Advocacia-Geral da União, dentre outras. Diretor Presidente do Joaquim Artes e Ofícios, instituição que sucedeu ao Instituto Yara Tupynambá, deu continuidade natural à preservação da história e memória da artista. A entidade, fundada em 1987, dedica-se à promoção das artes e dos ofícios e à preservação do patrimônio cultural. Nessa função, coordena projetos de conservação e restauração em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais e o CeMAIS, entre os quais a restauração do Museu da Inconfidência, a restauração da Igreja de São Bartolomeu, em Ouro Preto, o antigo prédio da Prefeitura de Grão Mogol, a recuperação da Capela e da Casa Paterna da Comunidade Quilombola dos Arturos, em Contagem, e a requalificação do Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, em Santa Luzia e mais. Sua experiência internacional se realiza por meio de um programa regular de visitas de estudo a museus, catedrais e bibliotecas europeias: Louvre, Musée d'Orsay, Musée Picasso, Musée Rodin e Musée Carnavalet, além da Biblioteca Nacional Francesa, em Paris; Prado, CaixaForum e Thyssen-Bornemisza, em Madri; National Gallery, British Museum e Abadia de Westminster, em Londres; museus da Ilha dos Museus, Neues Museum, Alte Nationalgalerie, Altes Museum e Bode-Museum, em Berlim; Galeria Uffizi, do Palazzo Pitti e do Palazzo Vecchio, em Florença; Museus do Vaticano, com a Capela Sistina e Galeria Borghese, em Roma, passando ainda por La Cité du Vin, Bassins des Lumières e Musée des Beaux-Arts, em Bordeaux. Na J&J Art Gallery, essa vivência se traduz em uma curadoria que alia rigor técnico, sensibilidade histórica e o compromisso com a arte como experiência de encontro entre obras, artistas e seleto público.

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